Comenta Celso Mariz que: "o povoamento do Teixeira,
como do sertão paraibano se deu como conseqüência
do projeto de ocupação do Governo Geral para
o interior da Paraíba, após a expulsão
dos holandeses. O governador geral incentivara os baianos
para o referido projeto de ocupação, daí
um bom número de bandeirantes da Bahia sobem pelo
Pajeú em demanda de terras não ocupadas. A
serra do Teixeira já vinha sendo atingida pelos grileiros
da Casa da Torre, que subiam o mesmo Pajeú."
A célebre
Casa da Torre situava-se no lado baiano do São Francisco.
Da margem pernambucana do rio, suas terras alargavam-se
até o rio Parnaíba, no Piauí.
Por seu
turno, narra Pedro Baptista: "De uma sortida afoita
em busca de escravos fugidos, de caçadores pernoitados
que levantam uma caiçara nas proximidades de um olho
d'água onde zumbiam enxames encanudados da abelha
silvestre, da ação deliberada de um homem
vontadoso escapo à calamidade terrível que
foi a sêca de 1690, da coragem de um mulher, Verônica,
que seguida de duas escravas, se embrenha na serra, abrindo
clareiras e fogo durante dias e noites seguidas, lutando
com feras, e ela própria prostando, a golpes de ferro
uma onça, que liga o seu nome à subida mais
antiga, ou da partilha de sertanista destemido entre si
e dois companheiros - teve origem e foi povoada a serra
das Trincheiras, a que mais tarde veio ligar o nome a um
Teixeira ainda hoje não muito bem identificado..."
Destaca
Coriolano de Madeiros, com a sua autoridade de historiador:
"...O principal fundador do povoado foi Manuel Lopes
Romeu, ou Romeira, proprietário em Natuba, o qual
se passou com a família a Sabugi em meado do século
XVIII. Homem dado a caçadas, foi a serra em apreço
onde encontrou o manancial hoje conhecido pelo nome cacimba
de baixo, ao pé da atual cidade. Sombreava a fonte,
altaneiro e anoso angico, no qual zumbiam três colméias
de uma espécie de abelhas denominadas Canudos, dando
o caçador ao local a expressiva denominação
Olho-d'Água dos Canudos, depois abreviado em Canudos.
Conservou a tradição que tendo Romeu se demorado
na excursão, sua mulher Verônica Lins, tomada
de receios, com uma filha e várias serviçais
demandaram a serra, abrindo uma vereda que atingiu o platô.
Dormiram
a meia encosta. Alta noite apareceu uma onça que
foi morta a golpes de facão pelas duas mulheres.
A trilha transformou-se numa estrada, ainda hoje conhecida
pela antiga denominação: ladeira da Onça.
Encontrando-se
com o marido, manifestou-lhe este desejo para ali se transportar
com a família e logo o fez, começando a situar-se.
Notando que precisava de um caminho por onde mais rápido
o local se comunicasse com o sertão, a N.E., foi
ainda a mulher auxiliada pela filha, quem imaginou o traçado
e o executou, conservando até os nossos dias a denominação
de estrada da Verônica. Esta via, vingando socalcos,
vencendo asperezas, calcando a serra até alcançar
os campos sertanejos, perpetou uma vocação
raríssima entre as mulheres. Manuel Lopes e seu irmão
João Leitão compraram a sesmaria e iniciaram
a povoação de Canudos, nome que não
pôde sobrepujar ao da Serra do Teixeira, finalmente
Teixeira..."
Cacimba de Baixo ou da Baixa, referida no texto transcrito,
é, atualmente, denominada Cacimbão, manancial
onde a população carente da cidade de Teixeira
se abastece d'água através de um chafariz
construído na administração do prefeito
Genivaldo Alves de Lira (1968-1972).
A alusão
a data de fundação do povoado, por volta de
1760, deve-se ao fato de, já em 1763, ter sido feita
a concessão de uma data de sesmaria, localizada num
olho d'água chamado Canudos. Atente-se, que, para
adquirir-se sesmaria, além de ser necessária
a alegação da existência de terras devolutas,
deveria o requerente justificar os gastos efetuados para
desbravá-las. O deferimento desses pedidos, acontecia,
muitas vezes, após decorridos mais de dez anos da
sua fixação na terra pretendida.
O povoado
surgiu de um agrupamento de casas de construções
geminadas e estreitas, possivelmente por motivo de economia
ou, o que é mais provável, como forma de imitação
do estilo arquitetônico das edificações
portuguesas, transplantadas para a colônia.
Outras fontes
d'água encontradas na redondeza foram redutos indígenas
e, pela riqueza do lugar, deram margem a vários pedidos
de sesmarias. Esses locais cantados em versos e prosa, constituem
pontos de referência da cidade de Teixeira, e são
conhecidos com Açude Velho e Açude Novo. Este
batizado como Açude da Nação, tendo
sido concluído em 1852 e arrematado por José
Dantas Correia de Goes, pela quantia de 3.999$000 libras
esterlinas.
Acentua
Pedro Baptista: "As opiniões dividem-se para
uns, foi posseiro da antiga Data da Conceição
ou mesmo o donatário da Data de Sant'Ana, o tronco
principal das famílias primitivas. Este um sobrevivente
da calamidade de 1960, a seca terrível que, de parceria
com a maior peste de morcegos que há memória
na tradição sertaneja, dizimava ao mesmo tempo
gente e criações, traz a chancela de posses
primitivas.
Para outros,
fôra o casal Lopes-Romeiro-Verônica, João
Leitão, de par com Rego Barros, os primeiros fixadores
da terra."
O coronel
Rego Barros, de origem baiana, residente em Goiania-PE,
foi acolhido em Canudos pelo amigo Manuel Lopes Romeu, e
passou a residir em local que recebeu o nome de Coronel,
e pelo qual ainda hoje é conhecido.
Era pai
de três moças que foram raptadas pelos índios
Sucurus, Sabedor do lugar onde se encontravam, não
vacilou o coronel Rego Barros, acompanhado de Manuel Lopes
Romeu, em ir buscá-las, travando com os silvícolas
sangrento combate ás margens de um riacho, que passou
a chamar-se Riacho das Moças, nome que conserva através
dos tempos.
As filhas
recapturadas, aquela altura, encontravam-se grávidas,
cujos rebentos originaram a raça de caboclos que
plorifera na região.
A respeito
dos primitivos ocupantes do território teixeirense,
Pedro Baptista, descreve: "A Serra do Teixeira, cravada
nos limites sul da antiga e memorável Data do Oliveiras,
de cujas sobras se apossaram os Dias Antunes, os Ortis,
os Estevam Ferreira, Matias Vidal e José da Costa
Romeu, era o ponto de contacto de duas correntes povoadoras:
uma que subia do Pajeú e outra que rompia do Litoral."
As famílias
responsáveis pela origem da população
foram:
1ª) LOPES - Manoel Lopes Romeu e sua mulher Verônica
Lins de Vasconcelos, seu irmão João Leitão
de Araújo e o coronel Rego Barros. Eram pessoas inteligentes
e destemidas. Um filho do casal Joaquim Lopes (ignora-se
a existência de outros) deixou os seguintes descendentes:
Bertinho, Elvira, Tetê e Joventino Lopes. Este era
casado com Amélia Ramalho, bisneta do patriarca Agostinho
Nunes da Costa irmã do cel. Dario, pai de D. Maria
das Dores, que, por seu turno, era casada em primeiras núpcias,
com Dr. Antônio Farias. O cel. Dario Ramalho, tetraneto
do patriarca Agostinho Nunes da Costa, era figura de grande
representação política do Teixeira.
Durante mais de trinta anos, desfrutou do prestígio
no governo do estado, parentes e correligionários.
De 1901 a 1922, presidiu o Conselho Municipal e representou
o Teixeira na Assembléia da República, por
mais de 10 anos.
2ª) TEIXEIRA - o alferes Antônio Teixeira de
Melo ou o capitão Francisco da Costa Teixeira.
3ª) NUNES DA COSTA - João Nunes da Costa e sua
mulher, Maria Tereza de Jesus, pais de Agostinho Nunes da
Costa, o Patriarca, descendentes do povoador da Data Sant'Anna.
4ª) CARVALHO DE ANDRADE e GUEDES ALCOFORADO, - Originadas
de Pernambuco.
5ª) RAMALHO DE LUNA - Oriunda dos cariris novos.
6ª) BAPTISTA - Procede da capital da "Parahyba",
e logo cedo entrelaçada ao NUNES DA COSTA, CARVALHO
DE ANDRADE, GUEDES ALCOFORADO e FRAGOSO.
7ª) CAVALCANTE AYRES - O tenente-coronel Ildefonso
Ayres Cavalcante de Albuquerque e seu irmão, tenente
Vicente, procedentes do Ceará. O cel. Ildefonso era
pai de Silvino Ayres, elemento muito temido no sertão
paraibano.
8ª) CALUÊTE - Entre os membros destacam-se Francisco
Romano Caluête ou Romano do Teixeira, ou ainda Romano
da Mãe D'Água, considerado o precursor dos
repentistas cantadores de viola, seu filho Josué
Romano Caluête e seu neto Adelgino Alves, que, seguindo
a vocação paterna, também tornaram-se
repentistas.
9ª) XAVIER - Professor Claudino José da Silva
Moura e sua mulher, Antônia Cândida Xavier da
Silva, provenientes de Guarabira, o qual, por volta de 1860,
fora nomeado pelo governo da Província para lecionar
em Teixeira. Ligou-se, através de laços matrimonias,
à família Lira.
Xavier,
Maria do Socorro Batista. De Canudos a Teixeira.,2000
Crédito: Antônio Eudes
Filho